Cinema é o melhor negócio: Com aplicação mínima a partir de R$ 1, investimento incentivado ainda pode render pagamento de dividendos a cada seis meses
Cinema é o melhor negócio: Com aplicação mínima a partir de R$ 1, investimento incentivado ainda pode render pagamento de dividendos a cada seis meses

O cinema brasileiro brilhou no festival de Cannes com prêmios para os filmes “Bacurau”, de Kleber Mendonça Filho, e “A vida invisível de Eurídice Gusmão”, de Karim Aïnouz. Sabia que você, mesmo sem ser cineasta, pode fazer parte da história de vitórias da sétima arte nacional?

Investir em filmes brasileiros traz uma série de benefícios para a arte e, claro, seu bolso. Por conta dos incentivos garantidos por lei, é possível fomentar a indústria em troca de benefícios fiscais.

Você recebe um abatimento de até 6% no Imposto de Renda (IR), no caso de pessoa física, e de 3% para pessoa jurídica.

Se um investidor pessoa física tem de pagar um total de R$ 10 mil em IR no ano, até R$ 600 serão deduzidos do que se deve ou, quando retido na fonte, o valor será creditado na restituição.

A vantagem só vale para quem faz a declaração completa, não há redução dos tributos na forma simplificada da declaração.

O montante descontado do IR e investido na indústria audiovisual ainda pode trazer retorno. Ganhos reais.

Para se ter ideia, pelo menos dois dos dez filmes nacionais de maior bilheteria foram financiados, entre outros mecanismos, por captação de pessoa física.

Imagina o quanto ganhou quem investiu em “Tropa de Elite 2”, que vendeu mais de 11 milhões de ingressos?

Quem também deve ter celebrado foram os investidores que apostaram em “E Se Eu Fosse Você 2”, que teve um público pagante superior a 6 milhões de pessoas.

“Eu acho simplesmente maravilhoso que as pessoas possam fazer esse tipo de investimento. Não entendo porque mais investidores ainda não entraram nisso. É muito transparente, muito claro, e até muito rentável se você souber escolher os projetos”, diz Marcelo Guerra, produtor que atuou como diretor financeiro do “E Se Eu Fosse Você 2”.

Diretor da primeira série brasileira orginal no Netflix, “3%”, Jogatá Creme, afirma que o audiovisual brasileiro vem passando por um momento de desenvolvimento. Os investimentos, portanto, encontram agora terreno fértil para dar frutos além de isenções fiscais.

Ficou interessado? Então, saiba que há duas maneiras principais (e mais fáceis) de apostar nesse segmento.

A primeira é por meio de emissão de título (Certificado de Investimento) para um determinado projeto ou filme. A segunda é aplicando em fundos específicos, os chamados Funcine.

Investir em filmes a partir de R$ 1

O Certificado de Investimento de audiovisual permite investir num determinado projeto que tenha sido autorizado pela Agência Nacional de Cinema (Ancine) e registrado na Comissão de Valores Imobiliários (CVM) para captação de recursos.

Cada projeto pode obter até R$ 4 milhões em certificados. Em 2018, a expectativa era de captação de R$ 43 milhões. Nem todos os filmes, entretanto, conseguem atingir o valor pretendido até o fim do prazo de financiamento.

Um dos projetos registrados na CVM no ano passado foi o “Eduardo e Mônica”, estrelado pela atriz Alice Braga. Em 2019, já há oito projetos registrados para captarem, juntos, até R$ 12 milhões.

A BB DTVM (gestora de investimentos do Banco do Brasil) e o BNDES estão entre as empresas que costumam apostar na indústria por meio desses incentivos. Mas os certificados são abertos a pequenos investidores.

As corretoras não cobram taxas de administração ou emissão para quem deseja investir nesses títulos de audiovisual.

O melhor é que, para democratizar o fomento da indústria nacional, não há um valor mínimo para aplicação. Dá para investir a partir do valor simbólico de R$ 1.

Claro que não se recomenda fazer esse tipo de movimentação tão baixa porque não traz benefícios significativos. Mas que pode, pode, sim. Dependendo da quantidade investida, dá até para ter seu nome nos créditos.

“A gente trabalha com emissão de títulos para filmes. O produtor submete o projeto à Ancine e, depois de aprovado, ele nos contrata para fazer essa captação de recursos”, explica Cristina Mattos, agente autônoma de investimento da corretora UM Investimentos.

Além do desconto no IR, o investidor ainda pode receber dividendos a cada seis meses após o lançamento do filme. Mas só nos casos em que há lucro, o que nem sempre acontece.

O retorno é um percentual da Receita Líquida do produtor, calculada sobre tudo que arrecadou após o lançamento (bilheteria, direito de distribuição, etc) e os gastos que teve com o projeto. O que sobrar de saldo positivo dessa conta é dividido entre os investidores.

“Não criamos a expectativa quanto a ganhos, porque às vezes nem o produtor ganha. É uma aposta. É mais um meio de fomentar a indústria e ter abatimento no imposto de renda”, afirma Cristina.

Quanto maior a bilheteria, melhor pra você, que investiu no filme. Pensando assim, vale até a pena promover os projetos e levar toda a família e os amigos (pagantes) para ver seu investimento na telona.

Funcine

Os Fundos de Financiamento da Indústria Cinematográfica Nacional (Funcine) investem em diferentes ativos dentro da indústria audiovisual. Por exemplo: melhoria de salas de cinema, produtoras, editoras de vídeo, infraestrutura e, claro, filmes e séries.

Esses fundos são passivos a cobrança de 20% de IR do total investido e dos ganhos nos primeiros cinco anos de receita e 20% sobre os ganhos cinco anos depois da data do investimento (compra da cota de fundo). Diferentemente de outros fundos, como você pode investir até 6% do seu imposto devido, a cobrança de IR depois é sobre o total aplicado.

Também costuma haver cobrança de taxa de administração. Em geral, esse tipo de fundo, por ter incentivos, não possui valor mínimo inicial. Mas isso depende da gestora responsável pelo investimento.